terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Malhar" Cipullo e Cia.

Tornou-se “modismo” entre os torcedores palmeirenses “malhar” a diretoria de futebol profissional da SEP. Cipullo e subordinados tornaram-se inimigos nº 01 da grande maioria dos palmeirenses que opinam na rede virtual. A pressão é enorme e a tendência é por seu crescimento exponencial.

Acho totalmente equivocada esta postura. Vou além: penso que representa uma grande contribuição para a desestabilização do, hoje, “claudicante” Palmeiras.

Retornando no “túnel do tempo” alviverde, verifica-se que Cipullo assumiu o departamento profissional de futebol da SEP, no final do primeiro mandato do presidente Della Mônica, como resultado de uma aliança política que aproximou ex-aliados de Mustafá com o grupo de Cipullo e Belluzzo. A aliança fez-se vitoriosa nas eleições de janeiro de 2007 e Cipullo deu início ao processo de reformulação do futebol da SEP.

O técnico Caio Júnior foi contratado e o elenco reformulado. O fracasso nas disputas do Paulistão 07 e Copa do Brasil 07 (lembram-se do bandeirinha safado?) tornou-se frustrante com a não classificação para a Copa Libertadores 08 (graças à patética derrota para o Patético Mineiro em pleno Palestra Itália, “coroando” a perda de rendimento nas últimas rodadas de Brasileirão 07). Caio Júnior dançou! Com a concordância e o aplauso da grande maioria dos torcedores palmeirenses.

Enquanto Cipullo conduzia o futebol profissional, Belluzzo implantava o departamento de planejamento - criado por encomenda para abrigar o renomado economista – e buscava alternativas para “alavancar” as já então corroídas finanças da SEP. As experiências realizadas na ocasião – p.ex. a tal “cesta de jogadores” – foram um balão de ensaio que culminou na parceria com a Traffic.

No início da temporada de 2008 (2° ano de Cipullo) a SEP mudou o “modelo de negócio” praticado pelo departamento de futebol profissional. A pessoa escolhida para conduzir o projeto foi Luxemburgo. Assim, em janeiro de 2008, o “profêxo” assume o futebol do Palmeiras. Para “o bem e para o mal”! Uma idéia audaciosa que caso fosse bem conduzida – com práticas ... digamos, éticas e competentes – poderia transformar o Palmeiras em uma máquina de ganhar títulos.

A conquista do Paulistão de 2008 determinou a “quase” “terceirização” do futebol da SEP para “Luxemburgo S.A.” e Cipullo foi cuidar da “política intestina” da SEP. Esta fervilhava com as necessárias aprovações da Arena Palestra Itália no Conselho Deliberativo e na Assembléia dos sócios, novo mandato para Della Mônica e eleição para presidente e vices, entre outras “coisitas” mais.

Assim, conchavos, conchavos e mais conchavos absorveram Cipullo. Enquanto isso, Luxemburgo “deitava e rolava” nas decisões relativas ao futebol. Não existia nenhum fator moderador que impedisse os mandos e desmandos de Luxemburgo.

ESTE FOI O MAIOR ERRO DE CIPULLO: entregar nas mãos de Luxemburgo o futebol profissional da SEP. (E, certamente, Belluzzo estava de acordo).

Na ocasião (2º semestre de 2008), poucos torcedores palmeirenses se manifestaram contrários ao que ocorria na SEP. Na ocasião, poucos cobraram Cipullo pela “terceirização” do futebol do Palmeiras.

O fracasso no Brasileirão 2008 foi debitado apenas aos jogadores “mercenários, chinelinhos e pipoqueiros” que, assim, foram escolhidos como “bodes expiatórios” pelo ocorrido no 2º semestre de 2008 e devidamente excluídos do elenco palmeirense. Cipullo e Luxemburgo foram devidamente blindados pelo resultado frustrante, ou seja, a perda do Brasileirão 08.

A política era mais importante e a manutenção do statu quo o objetivo a ser alcançado. A atenção de todos voltou-se para a eleição de Belluzzo e Luxemburgo manteve-se livre, leve e solto no exercício de comandante do futebol na SEP. Não de direito, mas de fato!

Com a concordância e o aplauso da grande maioria dos torcedores palmeirenses, Belluzzo foi eleito, Cipullo manteve-se na diretoria de futebol enquanto Luxemburgo mantinha-se como o “manda-chuva”.

Novos fracassos – Paulistão 09 e Libertadores 09 – e um time repleto de jogadores de qualidade técnica questionável, aliados certamente à ocorrência de discordâncias de Belluzzo pela situação existente no futebol da SEP culminaram na demissão de Luxemburgo.

Neste momento, Belluzzo promove uma intervenção branca no futebol da SEP e contrata sob os aplausos da maioria dos torcedores palmeirenses o técnico Muricy – recém demitido dos bambis.

Mais uma vez, Cipullo foi poupado.

Apesar de ser um crítico severo de Luxemburgo, discordei da demissão solitária do técnico. Belluzzo errou. Eu advogava, na ocasião, pela manutenção de todos, i.é., Cipullo, seus subordinados e Luxemburgo até o final da temporada de 2009. Ao término desta avaliaria-se os resultados e decidiria-se pela continuidade ou mudança do comando técnico do futebol profissional da SEP. A dispensa de Luxemburgo no meio da temporada deveria ser acompanhada pela dispensa de todo o comando do futebol da SEP.

Ao dispensar Luxemburgo, contratar Muricy e manter Cipullo (e os seus) – que gerou poucos protestos entre os torcedores palmeirenses -, Belluzzo tornou-se tão responsável quanto os demais citados pelo fracasso colossal ocorrido no 2° semestre de 2009.

Por isso discordei da exigência de muitos pela saída de Muricy (apesar de ter me manifestado contrário à sua contratação como técnico do Palmeiras) e também de Cipullo (e os seus) no final de 2010. Ainda mais sob a enorme pressão dos oportunistas que até então aplaudiam e blindavam os dirigentes do futebol da SEP. Advoguei pela permanência de todos e aplaudi a decisão de Belluzzo quando afirmou que não haveria mudanças. Estão todos no mesmo barco.

Penso que Cipullo, Belluzzo e seus aliados devem permanecer no comando da SEP até o final da temporada 2010. Todos, no decorrer dos três últimos anos, escolheram os caminhos que achavam os melhores para a SEP. Erraram em vários deles. Se continuarem fracassando, a fatura será paga por todos eles.

Portanto, “malhar” apenas Cipullo (e os seus) e “poupar” Belluzo é um grande equívoco.

Um erro cometido por ingenuidade ou por oportunismo.

ps 1: continuo pensando que as decisões dos “senhores do futebol da SEP” estão no caminho certo neste início de 2010:

- limpar o elenco das heranças de Luxemburgo (ainda restam algumas),

- contratar (de maneira cirúrgica) jogadores de boa qualidade técnica,

- promover alguns garotos da base.

ps 2: neste momento, mais do que em vezes anteriores, apoio Belluzzo e Cipullo. Eles já esgotaram a “cota de erros” e ainda é possível acertar.

1 comentários:

Edson Marques disse...

muito boa e corente sua análise