sábado, 20 de fevereiro de 2010

Meu apoio permanece inalterado

No final da última temporada do futebol, em dezembro de 2009, assumi a posição de apoiar a continuidade de Cipullo e Muricy, apesar das enormes críticas e ressalvas que tinha e tenho para com ambos.

Também indiquei e apoiei a reformulação gradual e sólida do elenco palmeirense que se traduziam por: expurgo de vários jogadores contratados por Luxemburgo - indiquei quais jogadores deveriam sair -, poucas e pontuais contratações e "promoção" de alguns garotos da base.

Sabia que os resultados não seriam imediatos e por isso critiquei a elevação dos xingamentos realizados pelo "bloco dos cornetas" e arautos do apocalipse".

A impaciência de parte da torcida palmeirense (reflexo esperado pelas repetidas frustrações) transformou-se em uma verdadeira "crise de confiança" com relação a qualidade e potencialidade do atual elenco alviverde e, também, a exigência por contratações de jogadores diferenciados, i.é., craques com altíssimo custo (algo fora da realidade financeira do Verdão). Pensava que essa situação poderia influenciar (e certamente influenciou) o rompimento do tênue equilíbrio que Belluzzo tentava manter entre as forças aliadas que disputavam (e ainda disputam) o comando do futebol palmeirense.

A ocorrência da "tormenta", que desde a última quarta-feira cai copiosamente no Palestra Itália, era um cenário possível e tal qual um "tigre sorrateiro e maligno" esperava pela oportunidade de atacar. Os fatos ocorridos nos últimos três dias aumentaram perigosamente o risco de surgir importante crise organizacional e institucional na SEP. No momento, penso que assistimos aos primeiros sinais desta indesejável crise. Belluzzo foi arrastado para dentro dela e "aparentemente" escolheu um dos lados beligerantes.

Mas, Belluzzo, diferente do que andam afirmando por aí, não é uma "rainha da Inglaterra". Penso que Belluzzo foi o responsável maior pelo surgimento da atual crise. No ano passado, ao demitir "apenas" Luxemburgo e contratar o técnico Muricy Ramalho - sob os protestos dos "senhores do futebol" da SEP -, o conhecido e admirado intelectual cometeu seu maior e decisivo erro na exercício da presidência da SEP.

Na ocasião, indiquei que a demissão isolada de Luxemburgo era um enorme erro. A opção correta seria a saída de todos - Luxemburgo, Cipullo e subordinados - ou a permanência de todos. Como eu acreditava que não haveria condições políticas de afastar Cipullo, "bradei" neste blog pela permanência de Luxemburgo até o final da temporada 2009.

Belluzzo era ciente das consequências de um fracasso no futebol. Investiu pesado na manutenção e fortalecimento do elenco gastando recursos que o Palmeiras não tinha. Por isso reagiu de maneira intempestiva - apesar de apenas dizer verdades - à safadeza ocorrida no Maracanã.

Aparentemente, Cipullo comportou-se de maneira ética e "ficou na dele". Não sei de um ato sequer que Cipullo tenha feito para boicotar Muricy durante o BR 09. Já afirmei várias vezes - aqui no blog - que o maior erro de Cipullo foi entregar o futebol da SEP para Luxemburgo. Por isso, cheguei a indicar a saída de Cipullo do comando do futebol do Palmeiras. Porém, boicotar Muricy e tramar contra Belluzzo são pecados que não podem ser imputados à Cipullo.

No final de 2009 - pelo que afirmam por aí - Cipullo apresentou à Belluzzo a proposta de trocar Muricy por Dorival Jr. Diante da recusa de Belluzzo, Cipullo teria colocado seu cargo à disposição. Belluzzo o demoveu da idéia e manteve a ambos. Naquele momento, eu apoiei a decisão de Belluzzo. O erro já tinha sido cometido anteriormente. Imaginei que seria possível a convivência de ambos (Cipullo e Muricy) e que os mesmos somariam esforços para a reformulação que citei anteriormente.

Penso que tentaram, porém a cruel realidade moeu impiedosamente o "arranjo" costurado por Belluzzo. As fraquezas e fragilidades de todos - Cipullo, Muricy e jogadores - entornaram o caldo!

Em outros posts, se achar pertinente e oportuno, analisarei a tal situação que "não deu liga", pois é exatamente o que penso: não houve conspiração alguma, não houve boicote, não houve "corpo mole" - nem dos jogadores, nem dos dirigentes do futebol da SEP! Apenas não deu liga entre os diferentes atores desta difícil engrenagem - dirigentes, técnico e jogadores. As características, personalidades, atributos, crenças e outras "coisitas" mais dos envolvidos não se encaixaram. E "explodiram", ou melhor, "implodiram" a condução que foi combinada entre todos, inclusive Belluzzo.

Acho equivocada e indevida a exagerada cobrança e xingamentos que boa parte dos torcedores palmeirenses direcionam à Cipullo e, agora, também à Belluzzo. São atitudes conduzidas pela emoção que anos de frustração impõem ao torcedor palmeirense.

A implosão que citei acima exigiu novas decisões de Belluzzo. As escolhas foram corretas? Os arranjos políticos se sobrepuseram ao que seria correto? Quais riscos para os atuais situacionistas traria a insistência com Muricy? Antônio Carlos é uma escolha adequada para técnico do Verdão? A Traffic transformará o Palmeiras em um "balcão" de negócios"? Seraphim Del Grande atuará como um vigilante e necessário fator moderador e será um "guardião" dos interesses da SEP no departamento de futebol? Quem assumirá a gerência de futebol no lugar do desgastado e descartado Toninho Cicílio? Quais serão as possíveis consequências para os arranjos e alianças políticas na SEP?

Penso que antes de emitir uma opinião mais contundente gostaria de me informar e refletir melhor sobre tudo isso e muito mais. Aliás, era o que eu esperava de boa parte dos blogueiros e formadores de opinião da chamada Mídia Palestrina. Penso que muitos se precipitaram ...

Como acredito na boa índole de Belluzzo e estou convencido que suas decisões - embora, às vezes, equivocadas - são tomadas para o bem da SEP, reitero meu apoio ao presidente.

E, amanhã, como foi na última quarta-feira, faça chuva ou faça sol, estarei mais uma vez na arquibancada do Palestra Itália torcendo pelo Palmeiras.

Porém, esperançoso pelo fim da "tormenta" que estacionou sobre as alamedas alviverdes da Turiaçú.
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