sábado, 4 de setembro de 2010

Parabéns 2 ...

... novamente ao jornalista Cassiano Gobbet. De seu blog "90 minutos" publicado em 01/09/10:

Hoje é um dia celebrado pelo corintiano. Mais ainda, celebrado pela mídia, que certamente comemoraria até o massacre da Candelária caso isso vendesse jornais. Nesse dia que indiscutivelmente é relevante, não me lembro do Corinthians, o clube do povo, estar mais longe desse povo que ele deveria representar.

O Corinthians, em seu aniversário, mantém "o povo" longe do estádio. O clube tem os ingressos mais caros da Série A, supostamente numa relação de oferta e demanda que foi a mesma que mudou a cara da torcida na Inglaterra, deixando "longlife supporters" condenados a ver os times que eles seguiram por décadas do lado de fora do campo. Aqui, o Corinthians lota o Pacaembu com uma torcida que pode pagar $50 reais por ingresso. O resto, "o povo", que se exploda.

O Corinthians se alia com o que há de pior, mais autocrático, pós-escravista e nefasto na política do futebol. Se Flamengo, Grêmio, Fluminense, São Paulo e outros grandes clubes brasileiros adotaram o fazer oposição a Ricardo Teixeira e à Globo, o Corinthians - leia-se, seu presidente Andres Sanches - vendeu-se à CBF em troca de favores como os que fizeram com que tenha se decidido por um estádio para a Copa do Mundo que não tem nem projeto nem ninguém sabe como vai se pagar.

O Corinthians, em seu aniversário, alia-se à mídia. Não a toda ela, mas à parte mais amadora, despreparada, desqualificada e absolutamente ignorante do papel que deveria desempenhar. Uma mídia que não tem pudor de publicar coisas como "o povão será tratado como rei no Itaquerão", "não haverá dinheiro público na construção do estádio", "os "naming rights" pagarão 80% da obra", entre outras sandices, ridículas, nojentas, absolutamente dissociadas da verdade. Uma mídia que quer vender jornal porque não entende sua função nem que vender jornal não é mais o cerne da comunicação.

O Corinthians, em seu aniversário, alia-se à classe mais preparada para executar os grandes assaltos ao Erário. Nem mesmo um debilóide pode acreditar que o estádio de Itaquera sairá de graça. Sua conta será paga por todo mundo. O corintiano mal-informado (e não é só sua culpa, porque quem deveria informar não informa) festeja, rindo dos rivais, mas faz o ritual da hiena. Não sabe que a mesma prática que ele endossa é a que o obriga a ir todos os dias ao trabalho num ônibus caindo aos pedaços, a ver seus filhos correrem risco de vida na porta de hospitais superlotados, que o impede de ter uma casa própria e uma escola que não devolva seus filhos analfabetos funcionais com tendência à marginalidade. Naturalmente, não é só o filho do corintiano que passa por essa provação, mas ao celebrar o ritual nojento de beija-mão da CBF e assalto aos cofres públicos, é isso que ele aprova, com um sorriso no rosto digno de um imbecil. Fossem flamenguistas, sãopaulinos, colorados ou atleticanos na sua situação, provavelmente fariam o mesmo, dentro das mesmas condições.

Fonte e texto completo aqui.
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